Reporteres da REM falam de suas experiências na Europa em meio a pandemia
24/03/2020 14:32 em Novidades

Bernardo Oliveira(A direita na foto), repórter da Rádio Esporte Metropolitano esteve de férias no mês passado em Portugal e Luiz Neto residente em Portimão-Portugal, nos contam suas experiências no continente onde hoje é o centro da Pandemia de COVID19

 

Por: Eduardo Silva

Foto: Acervo Pessoal Bernardo OLiveira

 

É um sonho tirar férias na Europa, conhecer outros países, experimentar novas comidas, conhecer culturas diferentes e costumes novos, visitar monumentos históricos e quem não gostaria de assistir uma partida de futebol na Europa? Mas e agora, diante dessa pandemia de Coronavirus no mundo, você se programaria para ir a Europa, o centro mundial da pandemia hoje? Claro que não né? Pouquíssimas pessoas tiveram ou tem a oportunidade de ver com os próprios olhos como se comportam os europeus e o brasileiros em relação a pandemia, nosso repórter Bernardo Oliveira (21 anos) esteve em Portugal de férias, entre fevereiro e o início de março, voltou, ficou em quarentena e não apresentou sintomas do COVID19, e ele nos conta a experiência que teve e manda um recado para os brasileiros, leia a entrevista exclusiva de Bernardo Oliveira:

 

  • Qual o período de sua viagem a Portugal?

Eu viajei no dia 24/02 e voltei ao Brasil no dia 13/03.

  • Quando você viajou como estava o Brasil e o mundo em relação a pandemia de COVID19?

Quando fui, o foco ainda era muito na China, no Brasil, havia muita tranquilidade da população, tanto que o primeiro caso só foi anunciado no dia 25/02.

  • Quando você viajou, você imaginava que chegaríamos ao ponto onde chegamos?

Não imaginei, para mim, era um vírus que não ia se alastrar por todo o mundo, ficaria retido na Ásia graças a quarentena promovida pelo governo chinês

  • Como você encontrou a Europa quando chegou e como estava quando saiu?

Fiquei apenas em Portugal, mas em todos os dias, só haviam notícias sobre o Covid 19, o dia inteiro na televisão, focando principalmente a Itália. Em Portugal mesmo, ainda eram poucos casos quando cheguei, mas piorou no final, e agora o país luso está em crise.

  • Você que esteve lá, qual a diferença de como as populações de lá e as daqui estão encarando a pandemia?

As cidades estavam cheias, principalmente o Porto, que é turístico. Mas as pessoas sempre comentavam e temiam que esse número alto chegasse também a Portugal, que já havia registrado casos, mas ainda em pouco número.

  • O que vc encontrou no aeroporto, quando saiu de lá e quando chegou aqui?

Não encontrei qualquer fiscalização, nem no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, do Porto, quanto menos no Aeroporto Tom Jobim. Ninguém apareceu para aferir temperatura, nada. Mesmo pessoas com máscara, só vi no retorno, quando a situação começou a piorar. Dentro do avião, haviam cinco ou seis pessoas usando máscara, e no Galeão, apenas os agentes da alfândega estavam com ela no rosto.

  • Se você tivesse como voltar no tempo e passar uma mensagem para o povo europeu sobre a pandemias o que vc falaria?

Levem a sério essa situação, não fiquem em aglomeração, vão pra casa. Digo isso agora porque quando eu estava lá, as aulas foram suspensas, e as crianças e jovens foram todos para a praia, indo na contramão do que é recomendado.

  • E a população brasileira, que mensagem você passa nesse momento?

Digo a nossa população que a situação é crítica, e ainda não estamos no pico da pandemia em nosso país. Não saiam de casa, quarentena não é férias. Fiquem com suas famílias em segurança. Nosso sistema de saúde já é precário, e se não fizermos nossa parte, ele entrará em colapso bem antes do que esperamos.

  • Em algum momento você chegou a ter medo de estar infectado ou de se infectar?

Por incrível que pareça, não tive esse medo, pois desde que voltei, não senti nada, estou perfeitamente normal. Quando ainda estava por lá, com poucos casos, também passei por cima do recomendado e fui assistir a um jogo do Porto, num estádio com 35 mil pessoas. Em nenhum momento tive qualquer temor. Acho que é uma coisa que muitas pessoas levam, vemos as desgraças acontecendo com os outros mas não imaginamos sequer um dia que possa ocorrer conosco.

 

Já Luiz Neto (31 anos), reside em Portugal a quase 13 anos, morador da Cidade de Portimão, na zona do Algarve, um dos principais pontos turísticos e rota de verão em Portugal, disse que nunca tinha passado por uma situação igual a essa em Portugal e que a situação é extremamente preocupante, confira abaixo a entrevista exclusiva:

  • Luiz, como tem sido o cotidiano da população Portuguesa diante de toda essa pandemia?

Para boa parte da população tem sido de ficar em casa, sair apenas para o necessário. Mas ainda há muita gente que não está respeitando as medidas tomadas pelo governo.

  • Quais as principais medidas que o governo português adotou aí pra conter o coronavirus?

O governo agiu tardiamente na minha opinião. Deveriam ter encerrado suas fronteiras antes do Covid-19 chegar em solo português. Nesse momento o número de casos continua crescendo, não de maneira acentuada como em outros países, mas creio que, pelo fato de não se fazer testes à população, esse número seja ainda maior do que os casos já registrados.

  • Você já viu algo parecido na Europa no tempo em que está aí?

Nunca, sob hipótese nenhuma vimos algo semelhante. Creio que a última doença que tenha assustado de alguma forma nessa proporção foi o Ebola, que só teve sua vacina disponibilizada 5 anos depois do surto.

  • Na sua opinião a situação em Portugal é muito preocupante, ou é uma coisa que se controlará facilmente?

MUITO PREOCUPANTE. O país entrará em colapso não tardará muito. Aliás, o próprio governo já afirmou que não haverá leitos suficientes para todos. A situação é catastrófica e as pessoas não se dão conta da gravidade da situação. A doença NÃO tem cura(ainda), e se não tentarmos minimizar os estragos, ainda veremos o número de mortos chegar a milhões no Mundo todo.

Sem contar que aqui em Portugal, as pessoas não tem respeitado as normas de higiene e segurança. Já existem 4 lares de IDOSOS com casos de Coronavírus, coisa que, na minha opinião, poderia ser evitada ao encerrar as fronteiras. Antes do primeiro ministro fechar as fronteiras, SESSENTA, sim, 60 ônibus vindos de Madrid entraram em Portugal pelo fato de na Espanha já não estar permitido vôos. E quase 400 pessoas, que não sabemos se tinham a doença ou não, entraram no país livremente, povoaram aeroportos, à época ainda em normal funcionamento, ajudando ainda mais na possível propagação da doença.

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